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VAIDADE, VAIDADE, TUDO É VAIDADE

VAIDADE, VAIDADE, TUDO É VAIDADE
Texto: Eclesiastes 1:2
Propósito Geral: ALENTO / MOTIVACIONAL
Propósito Específico: Ensinar a Igreja a importância de ter como foco o viver para Deus, pois somente assim, o homem promoverá uma relação completa com o Senhor e a conclusão de uma vida repleta de prazer e paz com Cristo.
Oração de Transição: Para estar em movimento é preciso…
INTRODUÇÃO
Ao apresentarmos um tema cujo o enfoque está relacionado à VAIDADE, acredito que uma série de questões devem movimentar na mente de cada um que ouve sobre a proposta de uma mensagem assim. Como diria um bom empreendedor, acontece um “Brain storm” ou uma tempestade de ideias.
Penso que isso acontece, pois na verdade sabemos ou imaginamos o significado da palavra VAIDADE.
Então vamos ver o que significa vaidade na nossa língua portuguesa: VAIDADE, segundo o dicionário Aurélio, é a qualidade daquilo que é vão (fútil, insignificante, que só existe na fantasia, falso, ilusório e inútil), pode ser também um desejo imoderado de atrair a admiração; presunção.
Pretendo pensar com os irmãos hoje, em especial sobre a primeira análise do dicionário, como qualidade daquilo que é vão.
Quer ver um exemplo que pode dizer de uma coisa fútil, vã, sem sentido, você já tentou pegar a fumaça do escapamento de um carro ou ônibus? Quando a fumaça esta saindo, parece até bem substancial, mas quando você tenta agarrá-la, percebe-se que não apanhou nada. A vida é assim. Parece impressionante, mas quando você para e analisa a vida, não há nada durável ou satisfatório nela. É vazia. A vida é vazia, pois ela é transitória, passageira, Tiago diz que é um vapor, e precisa ser vivida de forma sábia e plena, que não nos deixe com a sensação de que tudo que fizemos, foi perder tempo.
O livro de Eclesiastes registra a busca de Salomão por significado e propósito na vida. Ele buscava valor real em diferentes áreas, mas o resultado final era deprimente. “Vaidade de vaidades, diz o Pregador; vaidade de vaidades, tudo é vaidade” (1:2). “Considerei todas as obras que fizeram as minhas mãos, como também o trabalho que eu, com fadigas, havia feito; e eis que tudo era vaidade e correr atrás do vento, e nenhum proveito havia debaixo do sol” (2:11). Ele achava a vida vazia e sem significado. Ele disse que era como caçar o vento: nunca se consegue pegá-lo. Estaremos constantemente frustrados se procurarmos ganhar algo na vida que não está nela. Quando reconhecemos que a vida é vazia, somos libertados para buscar seu verdadeiro significado fora desta existência temporal, e então encontramos o significado e propósito verdadeiro.
À primeira leitura e sem o correto entendimento, temos a tendência de achar o livro um tanto quanto pessimista e negativo, pois o próprio autor nos fala sobre a eterna mesmice debaixo do sol, opressão, as tribulações e desigualdades da vida, o reinado da maldade no lugar do juízo e da justiça, a efemeridade da vida, entre tantos outros temas. O assunto recorrente, porém, é a vaidade. Diversas vezes essa palavra é empregada em todo o livro. Só no verso dois do primeiro capítulo é cinco vezes, característica típica da escrita hebraica, na qual a ênfase é demonstrada pela repetição das palavras: “Vaidade de vaidades, diz o Pregador; vaidade de vaidades, tudo é vaidade.” Esta palavra, aqui, tem o sentido de “efêmero”. D. L. Moody ensina que ela tem duas conotações: aquilo que é transitório e aquilo que é fútil. No texto acima, o sentido é literalmente: o tudo é vaidade. Ou seja, todas as atividades da vida que fazemos “debaixo do sol” (vs 3). Conforme Moody diz: “[A expressão tudo é vaidade] Enfatiza a rapidez com a qual as coisas desaparecem e o pouco que oferecem enquanto de posse delas. […] Isto é, a coisa toda, a totalidade da existência é vã.”, ou seja, EFÊMERA, passageira, rápida, e qual o proveito ou ensino que tiramos nas coisas?
Como disse, muitos podem achar o livro pessimista e talvez não pudesse ser diferente. O que você pensaria de alguém que dissesse que tudo o que você faz e toda sua existência é vã? E é isso mesmo o que o Pregador quer dizer, porém devemos entender o sentido dessa afirmação. Depois de aplicar o coração a esquadrinhar tudo o que ocorre debaixo do sol (1.13), o autor conclui que, segundo MOODY “toda a existência humana, quando vivida longe de Deus, é frustrante e insatisfatória. Todos os prazeres e coisas
materiais dessa vida, quando buscadas por causa delas mesmas, nada produzem a não ser a infelicidade e um senso de futilidade” (Moody). Um estudo na Bíblia de Estudo de Genebra diz que o propósito do livro é “demonstrar que a vida vista unicamente a partir da perspectiva humana realista resultará em pessimismo, e tem as palavras do livro, condição de oferecer a esperança por meio da obediência humilde e da fidelidade a Deus.” Ao entender isto, fica mais fácil entender e concordar com o autor quando ele diz que “tudo é vaidade e correr atrás do vento.”
Reconhecemos …
I. VAIDADE DAS POSSESSÕES: Fico imaginando a vida de Salomão no início de seu reinado. Não deve ter sido fácil, pois Salomão assumiu o lugar de uma lenda, um herói. Apesar das coisas erradas que seu pai realizou, Davi foi chamado o Homem segundo o Coração de Deus. Agora, Salomão assumiu o trono em meio a tensões familiares e com muitas disputas no reino e era ainda muito novo e inexperiente em questões políticas (1 Cr 29.1). Ele tinha sobre si uma sombra pesada, ela era filho de uma mulher estigmatizada em Israel pelo escândalo público que causou ao se envolver com Davi numa relação adultera, provocando a morte de seu marido. Apesar de ter sido chamado por Deus para construir o templo, quem fez o projeto foi o seu pai e ele desejava fazer bem mais que seu pai (Ec 2.4-8). Sua vida se tornou uma tentativa de autoafirmação (Ec 2.9-10). Tornou-se maior na sua mente que em sua vida. Taxou severamente seus súditos ao ponto de exaustão por causa de seus caprichos e decidiu se casar com outras mulheres gentias para ampliar seu reino, apesar da ordem explicita na Palavra do Senhor sobre este assunto (Dt 17.16-17). Sua imagem era mais importante que obediência. Na meia idade encontrou-se com seu lado obscuro. Na verdade, Salomão parte em busca de prazer e gozo como possível fonte de satisfação. Em seu pensamento quanto mais prazer, mais felicidade, então, ele resolve dar-se ao vinho e entregar-se à loucura, e se permite viver de forma intensa, buscando encontrar respostas para questões pessoais, as quais ele mesmo não encontrava resposta. Respondeu questões complexas aos outros, mas as mais simples para si mesmo não respondeu. Salomão empreendeu grandes obras, edificou para si casas, plantou vinhas, fez açudes para regar seus bosques, comprou servos, possuiu ovelhas e bois, amontoou ouro e prata e tesouros e proveu-se das “delícias dos filhos dos homens: mulheres e mulheres”. Assim, sobrepujou a todos que viveram antes dele, não negando nada do que desejaram seus olhos, nem privando seu coração de alegria alguma. Tudo que ele quis fazer, ele não mediu esforços para fazer. Se pudéssemos pensar um homem que viveu os prazeres da vida, seu nome SALOMÃO. Nos dias de hoje, em meio as baladas seria chamado o REI DO CAMAROTE VIP. Essa cultura parece que está impregnada na mente das pessoas. O desejo de amar a imagem, e viver de forma a alcançar e realizar tudo, pois precisa de uma autorealização, ou autoafirmação da experiência de um viver conforme a cultura do tempo e do espaço, podendo ser entendido inclusive como um narcisismo que é a forma de satisfazer seus desejos intensamente, pois se ama e se admira levando a atitudes que fujam, ou seja, contrários a alguns conceitos, que em tese, não aceitariam tais ações. Na sua crise, pois Eclesiastes é o livro da amargura e do arrependimento de Salomão, Salomão vê que o que fez da vida, todas as suas obras, alegrias, prazeres e momentos, não passaram de momentos, e observou também, que as obras e as fadigas que vieram com esses momentos, levou Salomão a pensar que tudo era vaidade e que nenhum proveito havia para si. Triste reconhecimento, que poderia ser tardio. Importante ressaltar que a vaidade no coração de Salomão se tornou uma idolatria. Martinho Lutero afirmava que a idolatria é o pecado detrás de todos os demais pecados. No caso de Salomão, sua vaidade o induziu a dividir a atenção na adoração ao Deus único (1 Rs 11-5-8). Salomão se tornou decadente na sua espiritualidade. Seu narcisismo o destruiu. O livro de Eclesiastes, de sua autoria, é uma autobiografia, e fala da grave consequência do homem quando se distancia de Deus. Seu livro é cínico e pessimista, revela uma amargura e uma falta de sentido sem par, e aqui destaco, a palavra “vaidade” seria mais bem traduzida no texto como “falta de sentido”, porque ela vem do hebraico “hebhel”, que pode ser traduzido como “fôlego”, ou “bolha de sabão” que tem muito brilho, mas nenhum conteúdo, nenhuma consitência, afinal, “tudo que é sólido se desmancha no ar”, e dizia Vinicius de Morais quando definiu a vida na música “Aquarela”, afirmando que “O futuro é uma astronave, que devemos pilotar, não tem tempo, nem piedade, nem tem hora de chegar. Pinto um barco a vela, branco navegando, que no fim de tudo, se descolorirá”, ou seja, não devemos nos levar pela vaidade, pois o tempo passa e aí, qual resposta dará quando te perguntarem: O que isso contribui para sua vida daqui por diante??? Salomão mesmo sendo rico e o mais rico de sua geração não encontrou na riqueza a verdadeira felicidade. A riqueza material é ainda hoje a alavanca que move as pessoas e o vetor que governa muitos corações. Quantos relacionamentos são sacrificados! Quantas injustiças são feitas! Quantos crimes são praticados por causa do amor do dinheiro!
Para estar em movimento é preciso…
II. VAIDADE DA SABEDORIA: A sabedoria é sua companheira, sua amiga, quando usada para o pleno conhecimento do que de verdade promove alegria. Salomão tornou-se grande, sobrepujou-se a todos os seus antecessores. Abasteceu seu coração com tudo o que desejou seus olhos, porém, no final reconheceu que todas essas coisas não passaram de vaidade (Ec 2.11). Sua sabedoria era reconhecida em toda a terra, ultrapassavam os limites de suas terras, onde recebia líderes, políticos, artistas e pessoas de toda a terra que viam lhe venerar por sua sabedoria, mas, o que vemos nos dias atuais são multidões e multidões, que ainda hoje trafegam na passarela da fama sob as luzes da ribalta. Chegam ao topo de suas realizações e conquistas. Tornam-se famosos, são conhecidos e reconhecidos no mundo, mas todo esse glamour não preenche o vazio do coração, não satisfaz aos reclames da alma, não produz verdadeira felicidade. Salomão transcendeu a todos os de sua geração em esplendor e sabedoria. O mundo inteiro olhava para ele com admiração. Todos apostavam que ele era o homem mais feliz do mundo. Porém, mesmo estando cercado de riqueza, fama e glórias humanas, nutria em seu coração uma tristeza crônica, pois a alegria que o mundo dá é rasa, passageira e insuficiente. Então, passou o Salomão a considerar a sabedoria e a loucura. Apesar de perceber que a sabedoria é mais proveitosa que a estupidez, compreendeu que a sabedoria é uma pequena vantagem temporária. Conforme ensina Moody, o sábio observa o que está a sua frente e escolhe o que lhe dá maior prazer, enquanto o néscio descobre o prazer por acaso, porém o proveito não é tão duradouro visto que o destino de ambos é o mesmo: a morte. Pois, “tanto do sábio como do estulto, a memória não durará para sempre; pois, passados alguns dias, tudo cai no esquecimento. Ah! Morre o sábio, e da mesma sorte, o estulto” (vs. 16 capítulo 2). Também isto é vaidade, é correr atrás do vento.
Para estar em movimento é preciso…
III. VAIDADE DO TRABALHO: Que proveito tem o homem de todo o seu trabalho com que se afadiga debaixo do sol? O autor faz essa pergunta no terceiro verso do livro. E os benefícios que ele pode obter de todo o trabalho árduo são passageiros, posto que, da mesma forma, ele perderá tudo na morte. Não apenas ele trabalharia toda uma vida para acumular riquezas terrenas e perdê-las na morte, como ele poderia deixar todo seu ganho para um herdeiro tolo ou ingrato. Não importa se ele usou toda ciência, sabedoria e destreza em seu fadigoso ofício, o fato é que toda sua riqueza ficaria para quem por ela não se esforçou, havendo a possibilidade de que o herdeiro não preze por ela e a desperdice. Isto também é vaidade e desejo vão. Salomão foi o homem mais rico de sua geração. Sua fama era notória. Seu poder era colossal. Seu reino era esplêndido. Mesmo cercado de tanta pompa e luxo, mesmo habitando no pináculo do sucesso, mesmo sendo o rei mais conhecido e famoso de sua geração, perdeu-se nos labirintos de sua própria alma. Enfastiado com o glamour do mundo, Salomão procurou a felicidade em fontes onde ela não estava presente. Salomão durante seus momentos de folga pensava que a felicidade e o prazer estariam no fundo de uma garrafa, mas sabe querido, a alegria do vinho é passageira e as consequências da embriaguez são danosas, mesmo que você queira comemorar sua vitória profissional, você pode estar danificando raízes que seriam o alicerce de uma vida feliz e abençoada. Muitos ainda hoje se entregam à bebedeira para a ruína de sua vida, para a destruição de sua reputação e para a dissolução de sua família. A alegria etílica evapora rapidamente. Não suporta as crises da vida. A verdadeira alegria está em Deus. Só na presença de Deus há plenitude de alegria e delícias perpetuamente. O trabalho dignifica o homem, abençoa sua casa pois com o fruto do trabalho o homem comerá o seu pão, não pode ser o trabalho o fator de dividir com Deus a atenção que é devida ao Senhor. Salomão trabalhou muito, orientou muito, mas não percebeu que estava dividindo o seu tempo que deveria ser dedicado a Deus com enfado e o cansaço e após, relaxava nas festas e nas distrações evitando o confronto com uma realidade de vida que no final, não seria chamada de VAIDADE.
CONCLUSÃO
Já vimos o que levou a Salomão a sentir-se vazio e agora veremos como nós podemos fazer para vivermos abundantemente sem que nossa vida seja uma profunda vaidade de viver. A palavra de Deus nos ensina que vida abundante é só em Jesus (Jo.10:10), e este privilégio todos nós já gozamos, porém devemos colocar em prática esta abundância de viver. Em 1Cor.10:31 encontramos uma fórmula de viver-se abundantemente, que é o dar graças em tudo. Em Ec.12:1 o pregador exorta-nos a lembrarmo-nos de Deus
nos dias da nossa mocidade, e este lembrar significa viver constantemente na presença de Deus. Orar, ler a Bíblia, jejuar e testemunhar é as melhores maneiras de se viver na presença do Senhor.
Que tipo de vida tem vivido hoje, uma vaidade de viver ou uma vida abundante em Deus? Apesar de não sermos tão sábios quanto o rei Salomão, é necessário que saibamos aplicar a nossa sabedoria para vivermos abundantemente uma vida com Deus, de tal forma que possamos futuramente ou hoje mesmo olhar para trás e vermos que não corremos atrás do vento e sim termos a certeza de que o nosso viver valeu a pena em Deus.
Tanta coisa poderia ainda ser falada sobre vaidade. Mas após analisar apenas estes três aspectos que estão nos primeiros capítulos do livro, a pergunta que fica é: depois de tudo isto, como então viverei sabendo que nada do que faço aqui na Terra subsistirá? O Pregador nos dá um vislumbre desta resposta nos versos 24 e 25 do segundo capítulo: Nada há melhor para o homem do que comer, beber e fazer que sua alma goze o bem do seu trabalho. No entanto vi que isto vem da mão de Deus, pois, separado deste, quem pode comer ou quem pode alegrar-se? Destes dois versos podemos extrair belíssimas lições.
(1) Devemos desfrutar das bênçãos que recebemos enquanto podemos. Por mais que seja desesperador pensar que tudo o que fazemos pode ser vão, a verdade é que elas nos trazem algum prazer, mesmo que momentâneo, e devemos aproveitá-las em nossas vidas, fazendo com que nossa alma goze o bem pelo qual batalhamos.
(2) Uma vez que reconhecemos que tudo o que temos é graça de Deus, nós o glorificamos com nosso proceder perante estas questões e com nossa gratidão. Isto traz sentido à nossa existência: quando usamos nossa vida para trazer glória a Deus, percebemos que a felicidade está Nele e não em qualquer bem ou riqueza que nós possuímos.
Da primeira pergunta da Teologia de Westminster aprendemos que nosso fim principal é glorificar a Deus e gozá-lo para sempre. Tendo isto sempre em mente, vivamos sabendo que somos peregrinos. Não temos aqui cidade permanente, mas buscamos a futura (Hb. 13.14). Então que nossa busca pela felicidade termine em Cristo, já que Ele é a única fonte de verdadeira satisfação. Como diz John Piper: “Deus é mais glorificado em nós, quando estamos mais satisfeitos nEle.”
No final de sua vida, Salomão chegou à conclusão de que só o temor de Deus dá sentido à vida (Ec 12.13 “De tudo o que se tem ouvido, o fim é: Teme a Deus, e guarda os seus mandamentos; porque isto é o dever de todo o homem”.). Agostinho de Hipona disse que Deus nos criou para ele e somente na presença dele encontraremos sentido para nossa vida. Você é uma pessoa feliz? Onde você está buscando a felicidade? Pare de correr de um lado para o outro. A verdadeira felicidade está em Deus, e nele somente!




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